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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

0 GRUMMAN F-14 TOMCAT. O Mito do Combate Aéreo


No universo dos aviões de combate, muitos caças marcaram suas épocas devido a seu sucesso em combate ou por causa de suas capacidades diferenciadas. Porém, a condição de ser considerado uma lenda é algo para pouquíssimas aeronaves. O caça Grumman F-14 Tomcat pode ser considerado como um caça imortal na historia da aviação de combate devido a suas capacidades extraordinárias e que o colocaram como sendo o primeiro avião de combate a poder ser classificado como “super caça”.

A origem do F-14 teve lugar no ano de 1966 quando a marinha dos Estados Unidos precisou de um sucessor do seu clássico caça F-4 Phanton II. Uma versão navalisada do gigante F-111 chegou a ser proposto e até fez alguns vôos, mas seu desempenho foi muito ruim desagradando o pessoal da marinha que avaliava a aeronave. Além disso, a marinha dos Estados Unidos pediu que o novo caça fosse capaz de operar dentro do conceito de defesa da frota, usando um sistema de radar e armamentos capazes atacar alvos a longas distancias, um conceito que já estava em estudos antes da década de 60. Lançou-se, aqui, o programa VFX (caça naval experimental) em que concorreram a Grumman, Mc Donnell Douglas, General Dynamics, North American e a LTV. Em 1969 a Grumman foi declarada vencedora com seu projeto G-303B e a partir disso, o projeto foi rebatizado de YF-14.


A Grumman foi declarada vencedora do programa VFX com uma variação do modelo G-303, visto nessa foto. O modelo G-303B tinha cauda dupla.
 
O F-14A foi apelidado de Tomcat e esta versão, a primeira de produção, entrou em serviço em setembro de 1974 a bordo do super porta-aviões USS Enterprise já descrito neste blog. O F-14 tem algumas características que marcam sua personalidade. A mais importante, sem sombra de duvidas, é a sua asa de geometria variável. Isso significa que o enflechamento de suas asas muda de acordo com o regime de vôo possibilitando maximo desempenho em todas as velocidades. Embora o enflechamento das asas possa ser controlado manualmente, pelo piloto, normalmente é o sistema de controle de vôo FBW (Fly By Wire) que movimenta as asas para garantir a melhor condição de resposta das superfícies de controle de vôo. O F-14 não é um caça para combates aéreo de curta distancia, pois ele não é tão ágil como os modelos contemporâneos dele como o F-15 e o F-16. Sua estrutura suporta cargas de 7,5 Gs, no máximo e sua taxa de giro instantânea é de 20º/seg a velocidade de mach 0,6. Em velocidades maiores esse desempenho cai muito e ele deve evitar ir para um combate de curta distancia, pois ele estaria em desvantagem.
 
O F-14 não foi projetado para ser um lutador de curto alcance, embora se fosse bem pilotado podia se dar bem. Seu projeto visava destruir os inimigos além do alcance visual com mísseis de longo e médio alcance.
 


Sentidos Aguçados

Evitar um combate de curta distancia, para o F-14, não era uma tarefa tão difícil, pois seu maior talento, sem duvidas, era seu sistema de combate de longa distancia composto pelo potente radar Hughes AN/AWG-9 capaz de detectar um caça inimigo a 210 km, e um alvo maior, como um bombardeiro inimigo, a 330 km. Este radar rastreia 24 alvos simultaneamente e pode atacar, com mísseis de guiagem ativa Hughes AIM-54 Phoenix até 6 alvos simultaneamente. A uma distancia de 97 km. Se for usado um modo pulse Doppler single target, com alvo único, o alcance é muito maior. Além do radar, o F-14 foi o único caça norte americano de sua época a ser equipado com um sistema de detecção passiva IRST AN/ALR-23, porém, devido a sua ineficiência, acabou sendo substituído por um sensor de TV Northrop AN/ AAX1 TCS (Television Câmera System), muito mais efetivo, sendo capaz de detectar e identificar um caça como um F-16 a 15 milhas (27,7 km).
 
O poderoso radar AWG-9 foi um dos principais elementos da equação que tornavam o F-14 um perigoso caçador. Com um alcance de 210 km contra alvos do tamanho de caças, ficava difícil passar incólume por uma patrulha de Tomcats
 
O F14A possui sistema de identificação amigo/ inimigo IFF AN/APX-72, extremamente necessário para se evitar lançar armas a longa distancia contra um aliado. O sistema de guerra eletrônica do F-14 possui um jammer (interferidor) AN/ALQ-126 usados para embaralhar o retorno radar do inimigo. Outro elemento deste sistema é o receptor de alerta radar RWR AN/APR-45 que avisa o piloto quando um radar hostil travou no F-14. Por ultimo, um lançador de iscas chaff (contra mísseis guiados a radar) e de Flares (contra mísseis guiados a calor IR), A N/ALE-29/39 está instalado na parte inferior da fuselagem. O F-14 usa um sistema de intercâmbio de dados JTIDS compatível com os sistemas de data link da força aérea e exercito dos Estados Unidos. Este sistema permite ao F-14 receber e transmitir dados de posicionamento dos alvos e das forças aliadas em tempo real aumentando a consciência situacional do piloto.
 
O F-14 teve a integração de um casulo de reconhecimento conhecido como TARPS (Tactical Air Reconnaissance Pod System) com uma câmera KS-87B e uma câmera KA-99, do tipo panorâmica, além de um sensor AN/ AAD-5 IR para coletar informações visuais do alvo.

O cockpit do F-14D tinha avanços importantes em relação as versões anteriores. Notem os dois displays multifunção no centro do painel

Um caça especializado

O Tomcat, inicialmente, em sua versão “A”, foi concebido como um caça especializado de interceptação, com foco em proteger o grupo de batalha naval norte americano de bombardeiros soviéticos com armamento antinavio. Por isso, seu armamento era direcionado para combate aéreo. Assim, o míssil de curto alcance foi o velho conhecido AIM-9L/ M Sidewinder, guiados por infravermelho e com alcance de 18 km. Este míssil podia ser lançado contra o alvo de frente, graças a sensibilidade de seu sensor que permitia usar o calor da fuselagem do avião pela fricção de ar em alta velocidade como referencia de posicionamento do alvo.

O míssil de médio alcance do F-14 A foi o AIM-7F/ M Sparrow, guiado por radar semi-ativo e capaz de destruir um caça inimigo a 50 km. Porém este míssil se mostrou pouco confiável com um percentual de acerto abaixo dos 40%.

Mas a grande estrela do armamento do Tomcat é o míssil de longo alcance AIM-54 Phoenix. O único avião de combate do mundo capaz de lançar ele é o F-14 e sua capacidade, já demonstrada, é de destruir um avião inimigo a incríveis 212 km. O Phoenix usava um radar ativo que era acionado na fase terminal do ataque, e sua chance de acerto era de 88%, muito superior ao do AIM-7 Sparrow. Este super míssil permitia atacar 6 alvos simultaneamente com o radar AWG-9. Pode-se dizer, que para aquela época, a combinação F-14/ míssil Phoenix tornava a defesa aérea de um porta aviões americano, intransponível. Por isso, ele foi considerado o melhor interceptador de sua época.

Para combate a curta distancia, além dos seus mísseis AIM-9 Sidewinder, o F-14 contava, ainda, com um canhão M-61 A1 com 6 canos rotativos em calibre 20 mm capaz de uma cadência de tiro de até 6000 tiros por minuto. A capacidade deste canhão é de 676 munições.

O poderoso míssil AIM-54 Phoenix representou uma pedra no sapato dos estrategistas soviéticos durante a parte final da guerra fria. Seu alcance somado ao excelente radar AWG-9 imporam muito respeito nos militares soviéticos

Um motor problemático

O calcanhar de Aquiles do F-14, sem a menor duvida, foi seu motor Pratt & Whitney TF-30 P-412 e o P414 instalado no F-14A Tomcat. Este motor não podia ser acelerado de forma abrupta, pois corria o risco de haver uma pane no motor conhecida como estol do compressor que, quando ocorria, fazia o motor perder sua eficiência. Cerca de 30% das quedas de F-14 Foram atribuídas a falhas nesse motor. Além disso, outro ponto negativo sobre o motor TF-30 é que ele produzia um empuxo considerado baixo para o peso do F-14. Com pós-combustão, o TF-30 produzia 9400 kg de potencia, mas mesmo assim precisava ser acelerado com cuidado para evitar problemas. Para resolver este sério problema a empresa General Electric ofereceu o motor F-101 usado no poderoso bombardeiro B-1 e instalaram em um protótipo. O resultado dos testes mostrou uma significativa melhora no desempenho e na confiabilidade do Tomcat de forma que a marinha norte americana resolveu adotar este motor. Os caças que receberam este novo motor foram chamados de F-14B e muitos F-14A foram modificados para receberem este motor. Nisso o motor foi renomeado de F-110 GE-400. Este excelente motor tem um empuxo de 12150 kg de potencia e permitia que o F-14 decolasse do porta-aviões sem o uso do pós-combustor gerando uma economia de combustível.

Além dos novos motores, o F-14B teve substituído seu sistema de guerra eletrônica original pelo novo AN/ ALR-67.

Nesta foto podemos ver dois Tomcats com seus novos motores F-110 GE-400. Embora o F-14 que está decolando estar com seu pós combustor ligado, o avião não necessita dele para decolar devido a boa potência deste motor em empuxo seco

O super tomcat

A ultima versão do Tomcat foi o F-14D, apelidado de Super Tomcat e entrou em serviço no final de 1990. Este modelo usa o motor F-110 GE 400 e o sistema de guerra eletrônica do F-14B, porém o radar original foi substituído por um bem mais moderno, o AN/ APG-71 com alcance de 189 km contra um alvo do tamanho de um caça, e 333 km contra um alvo do tamanho de um bombardeiro. Além disso, o F-14D recebeu o novo sistema IRST ao lado do seu sensor AN/ AAX1 TCS. Outra novidade foi que no F-14D, devido ao seu novo barramento de dados MIL STD 1553B, pode-se integrar armas ar terra a partir de 1992. As principais versões da bomba Paveway (GBU-10, 12, 16 e 24), guiadas a laser, as bombas guiadas por GPS GBU-31 e GBU-32, bombas de fragmentação MK-20 e as bombas de uso geral MK-82, MK-83 e MK-84 foram integradas ao F-14 que usou esse seu novo talento na guerra da Iugoslávia com muito sucesso. Além do armamento, um casulo LANTIRN para detecção e designação de alvos para as bombas guiadas a laser também foi integrado ao F-14D. O painel de controle também foi modernizado com a instalação de dois displays multifunção que diminuíram a carga de trabalho do piloto. Uma curiosidade interessante é que esta versão do F-14 é quase uma tonelada mais pesada que o F-14A, e essa diferença, fez com que o modelo tivesse uma pequena redução em sua capacidade de suportar Gs. Assim, o F-14D, versão mais moderna do Tomcat, suporta apenas 6,5 G.

O F-14 ++ (versão A com os avionicos da versão D) lança uma bomba GBU-24 Paveway III. O F-14 se mostrou uma plataforma estável e precisa para a missão de bombardeiro

Gosto de sangue

Nas mãos dos pilotos norte americanos, o F-14 teve dois tensos momentos de combate real. O primeiro ocorreu em 19 de agosto de 1981 no Golfo de Sidra, onde dois F-14A baseados no porta-aviões USS Nimitz enfrentaram dois Sukhoi Su-22 Fitter da força aérea Líbia onde, segundo a versão norte americana, um dos Fitters disparou um míssil AA-2 Attol contra os Tomcats, errando e dando início a um combate aéreo que culminou com a destruição dos dois Fitters por mísseis AIM-9L Sidewinders. Outro interessante incidente envolvendo os Tomcats norte americanos e a força aérea da Líbia ocorreu e 4 de janeiro de 1989, quando dois MIG-23 Floggers deram combate a dois F-14 e foram abatidos por mísseis Sparrow. O Iran, o único usuário que ainda usa os F-14 adquiridos em 1974, teve alguns combates com seus Tomcats durante a guerra Iran Iraque, porém os dados são pouco claros, de forma que se sabe 3 F-14 foram derrubados em combates de curta distancia contra caças MIG-21 e Mirage III iraquianos enquanto que alguns Mirages F-1 e alguns MIG-21 também foram abatidos pelo Tomcat.

O F-14 vai deixar muita saudade. Embora não seja correto um editor expressar sua opinião sobre os assuntos que escreve, eu vou quebrar o protocolo e dizer que o F-14, sem sombra de duvidas, é um dos melhores caças de todos os tempos. Em sua época, seria uma tarefa absurdamente complicada para um atacante superar o anel de defesa imposto por esquadrões de F-14 armados com mísseis AIM-54 Phoenix e apoiados por aeronaves E-2C Hawkeye.

Para matar a saudade deste super caça, sempre resta as belíssimas imagens do filme Top Gun, Ases Indomáveis de 1986 onde o personagem Maverick encarnado pelo ator Tom Cruise, encantam os entusiastas de aviação militar.

Um F-14 do esquadrão Jolly Rogers é escoltado por dois MIG-21 em um treinamento

Este F-14 é o da força aérea iraniana, o único operador do F-14, atualmente

Ficha técnica

Velocidade de cruzeiro: mach 0,8 (981 km/h).
Velocidade máxima: mach 2,3 (2484 km/h).
Razão de subida: 13740m/min.
Potência: 0,96.
Fator de carga: 6,5 Gs.
Taxa de giro: 20º/s (Instantâneo).
Razão de rolamento: 180 º/s (com as asas abertas) (estimado).
Raio de ação/ alcance: 1200 km/ 2400km.
Alcance do radar: Hughes AN/ APG-71 com 189 km (RCS 5m2)
Empuxo: 2X General Electric F-110 GE-400 12150 kgf.

Dimensões

Comprimento: 19,10 m
Envergadura: 19,54 m
Altura: 4,88 m
Peso: 18950 Kg (vazio)

Armamento

Ar Ar: AIM 9L/M Sidewinder, AIM 7F/M Sparrow, Míssil AIM-54 Phenix
Ar Terra: GBU-31/32 JDAM, Bombas guiadas a laser GBU-10,12, 16 e 24 Paveway. Bombas de queda livre MK-82, 83 e 84 e bomba de fragmentação MK-20 Rockeye.
Interno: Canhão M61A2 Vulcan 20mm. Com 676 munições.

3 "pequenos" problemas para este Tupolev Tu-142 Bear. O F-14 teve muito trabalho interceptando aeronaves de reconhecimento e bombardeiros soviéticos


Um desenho de três vistas do F-14A

Dois F-14 duelam sobre o deserto em mais um exercício de combate aéreo

Um desenho das partes internas do F-14

O esquadrão Jolly Rogers foi um dos mais conhecidos esquadrões de Tomcats. O símbolo da caveira de pirata na cauda é sua marca registrada

O F-14, nas mãos da marinha dos Estados Unidos operava em duplas. As patrulhas de combate do F-14 podem ocorrer a 500 km do navio por, aproximadamente uma hora

Em combate aéreo de curta distancia, o F-14 abre as asas para manter maior sustentação e capacidade de curvas fechadas a velocidades menores. Nesta foto. o Tomcat, está com as asas em enflechamento intermediário

Abaixo temos um videos com belas cenas do filme Top Gun onde o F-14 foi o principal protagonista:

Mais um video mas agora com uma demostração do F-14 Tomcat:

Espero que tenham gostado, o F-14 é sem duvida nenhuma um dos caças que mais mexeram com minha imaginação e se você também é um amante da aviação de caça, sem dúvida também sentiu a mesma empolgação que eu quando conheceu este caça.

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Created by Billy